Para o tributarista Thiago Milanese, mudança de regras facilitará disputa da ZFM por mais investimentos
Por D24 / portald24@diarioam.com.br
Publicado em 31 de outubro de 2026 às 08:32
Manaus – A Reforma Tributária cria um cenário vantajoso para a Zona Franca de Manaus (ZFM) a partir de janeiro de 2027. Com as novas regras, o Polo Industrial mantém seus benefícios até 2073, ao mesmo tempo em que outros Estados perdem seus incentivos aos poucos. Essa diferença deve atrair mais empresas para o Amazonas nos próximos anos, a avaliação é do advogado tributarista Thiago Mancini Milanese.
Sócio do escritório GRM Advogados, Milanese, avalia o impacto dessas novas regras para a região. “As mudanças no cenário jurídico podem dar à ZFM maior destaque na disputa por investimentos no País”, afirma o especialista. De acordo com o advogado, o modelo preserva a capacidade de atrair novas fábricas e de ampliar as estruturas que já existem.
O cronograma da reforma altera a cobrança de impostos em breve. Em 2027, a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) substitui o PIS e a Cofins. Dois anos depois, em 2029, os benefícios do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) começam a cair em todo o país. O fim do ICMS acontece de forma total em 2033. Com esse prazo, a vantagem de Manaus ganha força. Milanese destaca a questão: “A Reforma Tributária estabeleceu mecanismos para preservar o diferencial competitivo da ZFM no novo sistema”.
Neste cenário, Manaus vira uma opção mais viável para os negócios. “Com mecanismos próprios preservados, a ZFM poderá ganhar espaço nas decisões sobre novas fábricas e ampliações”, pontua o representante da GRM Advogados.
O crescimento do Polo Industrial de Manaus já aparece nos números oficiais, antes mesmo das novas regras. Dados da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) mostram que o faturamento do polo saltou de R$ 178 bilhões em 2022 para R$ 229 bilhões em 2025. O número de trabalhadores também subiu. A média mensal passou de 111 mil para 132 mil pessoas com emprego no setor. Esse volume mostra a base atual e ainda não reflete os efeitos da reforma tributária.
Se mais fábricas vierem para Manaus, a cidade vai precisar de mais estrutura. Haverá mais procura por terrenos, galpões e serviços gerais. “O aumento da indústria exige atenção para áreas como energia, transporte, moradia e serviços públicos. O desenvolvimento das ruas e a logística de transportes precisam acompanhar o ritmo das empresas para evitar problemas no futuro”, disse o advogado.
Fonte: D24am



